WhatsApp Business: novos termos da Meta em outubro

Quem usa WhatsApp Business está entre os destinatários dos termos comerciais revisados da Meta, que entram em vigor a 30 de outubro sem opção de recusa para contas comerciais. A revisão ficou nas manchetes pelo embate com editoras — a Meta retirou a palavra “treinar” do texto a 16 de outubro —, mas a base contratual é a mesma para qualquer negócio com presença comercial na Meta.

O que a revisão diz

O texto passou a limitar o uso do conteúdo recolhido de sites associados a contas comerciais a “produtos de publicidade e negócios”. Segundo o Nieman Lab, juristas avisam que “desenvolver” qualquer produto de negócio continua uma permissão ampla, e que a expressão “associado aos seus produtos ou serviços” pode permitir recolher sites inteiros. O porta-voz Daniel Roberts disse ao The Verge que a mudança esclarece a redação e que não se trata de recolher sites de notícias.

Conversas privadas ficam de fora

A cláusula em discussão cobre conteúdo de sites associados à conta, não as mensagens trocadas no WhatsApp. As conversas continuam regidas pelas regras de mensagens e pelas obrigações do operador — tema já tratado aqui em RGPD no WhatsApp: que dados pode guardar. O ponto de contacto é outro: o campo de site na ficha da conta comercial é o que liga o domínio da empresa à licença de recolha.

Verificar o site associado

A ação prática para quem opera WhatsApp Business é simples: abrir a ficha da conta e conferir que domínio está declarado. Se o campo aponta para o site principal, todo o conteúdo público desse domínio entra no conceito de “associado”. Para negócios que publicam catálogo ou blog no mesmo domínio, a exposição é maior do que para quem usa uma página de destino isolada.

Meta One a caminho

A 3 de novembro chega outra alteração automática: portfólios de negócio passam a poder comprar e gerir a subscrição Meta One, e a definição que permite delegar essa gestão fica ativa por omissão — controla-se em Business Info, no Meta Business Suite. Para equipas pequenas que partilham o acesso ao portfólio, vale a pena rever quem fica com permissão de gestão após a ativação, no mesmo espírito de revisão periódica que aplicamos às regras que evitam bloqueio.

O que a Meta afirmou

A empresa nega que os termos sirvam para recolher sites de notícias e afirma que as atualizações não criam direitos novos que se sobreponham às preferências declaradas pelos sites, como o robots.txt. Os juristas ouvidos pela imprensa respondem que o respeito ao robots.txt é voluntário e que o termo revisado não traz compromisso escrito de o honrar. Para quem decide com base em contrato, e não em declarações, a diferença pesa.

Para a maioria dos negócios portugueses, o efeito imediato de 30 de outubro é contratual, não operacional: o WhatsApp Business não muda de comportamento no dia seguinte. A decisão real é de médio prazo — quanto do conteúdo do site da empresa se quer expor à licença de recolha em troca da presença comercial na plataforma.

O cenário regulatório

O European Publishers Council vai pedir às instituições europeias que examinem os termos, e associações de imprensa do Reino Unido e dos EUA exigem intervenção antes de 30 de outubro. Se a pressão resultar em mudança, ela chegará por via regulatória — os termos em si não têm opt-out. Para quem pondera a via oficial da plataforma, a análise sobre a API oficial do WhatsApp em Portugal separa o que é contrato da Meta do que é decisão sua.

Resumo da posição: 30 de outubro é a data dos termos, 3 de novembro a do Meta One. Duas alterações automáticas em duas semanas — motivo suficiente para uma revisão de ficha e permissões nesta semana.